Alexandre Frota é surpreendido após ter mandato de vereador cassado

Na última sexta-feira, 3 de outubro, a política brasileira ganhou mais um daqueles capítulos que parecem saídos de roteiro de série: o vereador Alexandre Frota (PDT), que ocupa cadeira na Câmara Municipal de Cotia, na região metropolitana de São Paulo, teve o mandato cassado. O motivo? Uma condenação antiga, de 2018, por calúnia e difamação contra ninguém menos que Jean Wyllys, ex-deputado do PSOL e figura bastante conhecida na cena política nacional.

Pra quem acompanha de longe, pode até soar como mais uma briga de egos, mas a história é mais cabeluda. Frota havia sido condenado há anos atrás pela 2ª Vara Federal de Osasco. A decisão determinava dois anos de detenção em regime aberto, além de multa correspondente a 175 dias, calculados na base de valor unitário. Só que, como acontece com praticamente todo político envolvido em processo judicial no Brasil, ele não ficou quieto: recorreu, insistiu, levou o caso para instâncias superiores. Resultado? Nada feito. Os recursos acabaram negados e a decisão transitou em julgado no fim de agosto deste ano.

É curioso notar como essas situações sempre voltam à tona em momentos inesperados. Enquanto a cidade de Cotia vive problemas cotidianos — transporte precário, falta de médicos nos postos de saúde, reclamações de moradores sobre buracos nas ruas (quem anda pela Raposo Tavares sabe bem do que estou falando) —, a política local vira palco de decisões judiciais de grande repercussão. E, claro, a notícia rapidamente se espalhou pelas redes sociais. No X (antigo Twitter), teve quem comemorasse a queda do vereador, chamando de “justiça tardia, mas feita”. Outros ironizaram, dizendo que, no Brasil, “cassação é igual greve de ônibus: você nunca sabe quando vai acontecer, mas quando vem, bagunça tudo”.

Voltando ao caso: a pena de Frota, apesar de soar pesada, foi flexibilizada. A detenção, como previsto em lei, pode ser substituída por penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade ou em entidades públicas, além da chamada limitação de final de semana (que, convenhamos, parece até castigo de adolescente: “não pode sair de casa no sábado à noite”).

A cassação, em si, foi decretada pelo presidente da Câmara de Cotia, Osmar Danilo da Silva (Republicanos), que citou tanto a Constituição Federal quanto a Lei Orgânica do Município para justificar a decisão. Ou seja, não foi um ato isolado, mas um cumprimento de norma, como manda o regimento. A nota oficial reforçou que não havia mais espaço para questionamentos jurídicos, já que a condenação tinha caráter definitivo.

Agora, fica a pergunta que não quer calar: e os eleitores de Cotia, como ficam nessa história? Uma parte da população já se diz cansada de ver políticos envolvidos em processos, mas outra defende que, independentemente do passado, Frota vinha atuando em pautas relevantes para o município. Vale lembrar que ele não é novato no mundo das polêmicas. Ex-ator, ex-bolsonarista, ex-tucano e agora ex-vereador, Alexandre Frota tem construído sua trajetória política entre brigas públicas, declarações fortes e reviravoltas de bastidores.

Esse caso também joga luz sobre um problema maior: a descrença no sistema político. Num momento em que o Brasil debate reforma tributária, alta dos combustíveis e até mesmo a possibilidade de novos protestos nas ruas (quem lembra de 2013?), situações como a de Frota reacendem discussões sobre ética, moralidade e o quanto os eleitos realmente representam o povo.

Por fim, resta acompanhar os próximos passos. Quem assumirá a cadeira deixada pelo vereador? Vai ser alguém da mesma base? A oposição vai usar isso como munição política? E o próprio Frota, vai tentar reinventar-se mais uma vez, talvez voltando à mídia ou lançando candidatura em outra cidade? Difícil prever.

O fato é que, em Cotia, a sexta-feira foi agitada, e a história certamente não termina aqui. A política brasileira, mais uma vez, mostrou que é imprevisível — às vezes trágica, às vezes cômica, mas nunca sem emoção.



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