O clima político voltou a esquentar neste começo de agosto. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, decidiu que o ex-presidente Jair Bolsonaro deve cumprir prisão domiciliar depois de participar — de forma considerada “dissimulada” — das manifestações do último domingo (3), que ocorreram em várias cidades do país em apoio a ele e em protesto contra o Supremo.
A decisão saiu nesta segunda-feira (4), e veio acompanhada de críticas diretas à postura do ex-mandatário. Segundo Moraes, Bolsonaro não só descumpriu as medidas cautelares que já estavam em vigor, como ainda tentou manipular a narrativa ao gravar um vídeo previamente para ser exibido durante os protestos, passando a impressão de que não estava envolvido diretamente. Mas, como sabemos, no Brasil tudo vaza — e não demorou muito pros vídeos rodarem pelas redes.
A tal participação, mesmo sendo à distância, foi divulgada por nomes bem próximos de Bolsonaro: seus filhos Carlos e Flávio, e também pelo deputado Nikolas Ferreira, um dos mais atuantes da ala conservadora nas redes. E foi aí que Moraes pegou a deixa.
Na canetada de hoje, o ministro não economizou nas palavras: disse que houve “claro desrespeito” às restrições impostas anteriormente e que o ex-presidente continua numa linha de tentar pressionar o Judiciário. “A participação dissimulada de Jair Messias Bolsonaro, preparando material pré-fabricado para divulgação nas manifestações e redes sociais, demonstrou claramente que manteve a conduta ilícita de tentar coagir o STF e obstruir a Justiça”, escreveu o ministro no despacho.
O ponto que chamou atenção foi a retirada rápida da publicação feita por Flávio Bolsonaro no Instagram, que mostrava o vídeo do pai. Moraes interpretou o ato como uma tentativa de “apagar os rastros” da infração cometida. Segundo o magistrado, isso só reforça o entendimento de que houve sim desobediência.
E agora, o que Bolsonaro pode ou não fazer?
Além de estar proibido de sair de casa — o que, por si só, já é simbólico — outras medidas foram impostas:
- Ele não poderá receber visitas, exceto seus advogados ou outras pessoas autorizadas pelo STF;
- Durante as visitas, é proibido usar celular, tirar fotos ou gravar qualquer coisa;
- O uso de celular está vetado, tanto por ele quanto por qualquer intermediário;
- Segue mantida a proibição de contato com autoridades estrangeiras ou embaixadores, além do já conhecido veto ao uso de redes sociais — de novo, mesmo que seja por terceiros.
O caso repercutiu forte em Brasília, e já é assunto quente nas rodas políticas e nos bastidores do Congresso. A base bolsonarista reage com críticas e acusações de “perseguição”, enquanto setores mais moderados analisam com cautela os próximos passos de Moraes e o impacto dessa medida na já polarizada cena política do país.
Em resumo: o embate entre Bolsonaro e o STF continua firme e forte, com novos capítulos surgindo a cada movimento. E, ao que tudo indica, essa novela ainda vai longe — com ou sem transmissão ao vivo no Instagram.