A última novela de Benedito Ruy Barbosa foi marcada por uma tragédia que chocou o Brasil

A morte de Benedito Ruy Barbosa, anunciada nesta terça-feira (7), levou muita gente a relembrar momentos importantes da carreira de um dos maiores autores da televisão brasileira. Entre tantas novelas de sucesso, uma em especial voltou a ser comentada nas redes sociais: Velho Chico. Exibida pela TV Globo em 2016, a produção foi a última novela inédita escrita pelo dramaturgo e acabou entrando para a história por dois motivos. Além da trama emocionante ambientada às margens do Rio São Francisco, a obra ficou marcada pela morte do ator Domingos Montagner durante o período das gravações.

Na época, Velho Chico conquistou o público pela fotografia diferenciada, pelas paisagens do Nordeste e pelo cuidado na construção dos personagens. Benedito Ruy Barbosa sempre teve um jeito único de contar histórias ligadas ao campo, às tradições brasileiras e aos conflitos familiares. Dessa vez não foi diferente. A novela apresentou um Brasil pouco visto na televisão, valorizando a cultura nordestina e transformando o Rio São Francisco em um verdadeiro personagem da história.

Para dar vida à cidade fictícia de Grotas do São Francisco, a Globo montou uma grande operação de gravação na Bahia. Mais de 120 profissionais participaram da produção, que percorreu municípios como Cachoeira, São Francisco do Conde e também regiões próximas ao Raso da Catarina. As imagens chamaram atenção pela beleza natural e ajudaram a criar uma identidade muito forte para a novela.

O próprio Rio São Francisco ganhou enorme destaque durante toda a trama. Em vários momentos ele aparecia como símbolo da vida, das disputas entre famílias e da esperança dos moradores da região. Essa escolha fez com que a novela tivesse uma atmosfera diferente das produções tradicionais exibidas na televisão brasileira.

Mas foi justamente nesse cenário que aconteceu um dos episódios mais tristes da história da dramaturgia nacional. Em 15 de setembro de 2016, Domingos Montagner, que interpretava o protagonista Santo, morreu aos 54 anos enquanto fazia uma pausa nas gravações.

Naquele dia, o ator entrou no Rio São Francisco para nadar ao lado da atriz Camila Pitanga, intérprete de Tereza. Os dois haviam encerrado uma cena e aproveitaram o intervalo antes de seguir com os trabalhos. Pouco depois, Montagner foi surpreendido pela força da correnteza e desapareceu nas águas. Apesar das buscas realizadas pelas equipes de resgate, ele acabou sendo encontrado sem vida horas depois.

A notícia causou enorme comoção em todo o país. Integrantes do elenco, profissionais da produção e milhões de telespectadores acompanharam com tristeza os desdobramentos daquela tragédia. Como o acidente aconteceu poucos dias antes do encerramento das gravações, a equipe precisou adaptar o desfecho da novela com bastante cuidado e respeito à memória do ator.

Além de Domingos Montagner e Camila Pitanga, Velho Chico reuniu um elenco considerado um dos mais fortes daquela década. Rodrigo Santoro voltou às novelas brasileiras depois de muitos anos dedicado ao cinema internacional. Antônio Fagundes, Marcos Palmeira, Christiane Torloni e Lucy Alves também tiveram papéis importantes na trama, contribuindo para o sucesso da produção.

Com atuações elogiadas e uma história carregada de emoção, Velho Chico acabou se tornando muito mais do que uma novela. Ela passou a representar um momento marcante da televisão brasileira e também uma homenagem involuntária ao talento de Domingos Montagner.

A despedida de Benedito Ruy Barbosa das novelas inéditas também deu um significado ainda maior à obra. Autor de clássicos como Pantanal e O Rei do Gado, ele construiu uma carreira respeitada por diferentes gerações. Seu estilo sempre valorizou o interior do Brasil, as relações humanas e as paisagens do país, características que fizeram suas histórias atravessarem décadas.

Agora, com sua morte, muitos brasileiros voltam a lembrar desse legado. Velho Chico permanece como a última grande novela inédita de Benedito Ruy Barbosa e como uma produção que uniu qualidade artística, belas paisagens e uma história que, infelizmente, também foi marcada por uma tragédia real. Mesmo após tantos anos, a obra continua viva na memória do público e ocupa um lugar especial na história da televisão brasileira.



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