No mundo espírita esclarece para todos sobre a importante função educadora e regeneradora da família, diante do processo da edificação moral do homem. Diante disso, é fácil perceber, então que a família pode ajudar de maneira extenso dentro da recomendação de educação da humanidade, do homem como Ser Espiritual, indicando o lar e tudo o que este poderá oferecer para a formação desse Homem de Bem, amanhã.
E como podemos definir Família?
A espiritualista, Joanna de Ângelis nos revela no livro “S.O.S. Família”, que “é grupo de espíritos normalmente necessitados, desajustados, em compromisso inadiável para a reparação, graças à contingência reencarnatória.”
Quando no plano espiritual, despertos para o alcance de nossas falhas, das nossas mazelas morais, conscientes dos nossos compromissos que manifestamos com os outros e que, frequentemente, falimos, pedimos aos instrutores espirituais um novo retorno à vida física, carregando as provas necessárias para o nosso ressarcimento, reencontrando desse modo as almas simpáticas, as almas adversárias que farão parte do mecanismo de aprendizado e abraçando o compromisso perante aos nossos professores espirituais, que cuidam pelo nosso progresso.
Assim, nos reunimos em família, no mesmo ambiente, através dos Laços de Família favorecidos pela Reencarnação.
Que benção?!!
E aí começaram todos os processos, que para nós não serão novidade nenhuma.
Muitas brigas surgem exatamente em virtude das pessoas viverem debaixo do mesmo teto desconhecendo essa necessidade grandiosa de aprender a conviver e não a viver. Há muitas diferenças entre viver e conviver.
Na maioria das vezes, o ser humano é individualista. Faz vistas grossa ao respeito e ao livre-arbítrio daqueles que são os componentes da nossa família é primordial para que possamos conviver.
Somos espíritos imortais em evolução, com experiências em diferentes encarnações, portanto trazemos bagagens diferentes que, de forma bastante significativa, promovem a nossa instabilidade ou estabilidade, como também daqueles que formam esse grupo de espíritos que estão unidos pelos laços da carne, aparentemente, mas unidos pelas experiências de ontem.
Allan Kardec, inclusive nos orienta sobre questão, iluminada pela luz da reencarnação, no Cap. IV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. Compreendemos então que o reencarnante veste a roupagem da inocência e se expressa relativamente como um novo indivíduo. Mas a roupagem é frágil e permite ao indivíduo o aflorar de idéias inatas, tendências, defeitos e virtudes que estão nas nossas matrizes perispirituais. Cabe então à família, aos pais, observar esse reencarnante com olhos amorosos.
Vale ressaltar que a melhor escola ainda é sempre será o Lar, nos dizem os benfeitores espirituais.
O que é um Lar?
O Lar é o grupo de pessoas da família, vivendo debaixo do mesmo teto. Nele, a pessoa nasce, cresce e se desenvolve como pessoa.
O escritor, Neio Lúcio, na obra livro “Jesus no Lar”, lição nº 1, nos ensina as palavras de Jesus: “O lar é um curso ligeiro para a fraternidade que desfrutaremos na vida eterna. Sofrimentos e conflitos naturais, em círculo, são lições”.
Então, todas as experiências que compartilhamos na vida doméstica são um rico e profundo material que trabalharemos para a conquista dos valores mais elevados.
Desenvolvendo desse modo a tolerância, a paciência, a compreensão, o entendimento, o perdão, o trabalho, a bondade, a gratidão, e muitas outras virtudes, poderemos nos desenvolver no cadinho do lar e assim estaremos trabalhando na renovação de nós mesmos, de nossos lares e de toda a Humanidade.
É óbvio que alguns de nós continuaremos rebeldes a essas oportunidades de reconciliação, de aprendizado, de reajuste e de desenvolvimento afetivo que nós encontramos dentro do Lar, e muitas vezes diante da nossa dificuldade ainda, estacionamos com a nossa dureza de coração, que nos leva a verdadeiros sofrimentos, e quando assim permanecemos é claro que uma nova possibilidade nos será oferecida para podermos vencer a nós mesmos e enfrentar os problemas causados, ou melhor, as dificuldades que não conseguimos superar.
E no livro “Leis de Amor”, ainda o benfeitor Emmanuel completa, ao ser indagado sobre de que precisamos para vencer a luta doméstica: “Devemos revestir-nos de paciência, amor, compreensão, devotamento, bom ânimo e humildade, a fim de aprender a vencer, na luta doméstica.”
Os deveres de cada um de nós, como pais, mães, filhos e irmãos, bem cumpridos e carregados com alegria, fazem que coletivamente o lar seja um ambiente de paz e satisfação.
Retornamos ao Corpo Físico para dar continuidade à nossa tarefa que foi interrompida, e através da reencarnação teremos nova oportunidade para esse trabalho no campo do progresso evolutivo de cada um de nós. Para isto precisamos de um porto seguro onde possamos recomeçar a jornada: a FAMÍLIA.
E então é no ambiente doméstico que as almas se reencontram sob variados motivos: resgate, afeições, desafetos, missão ou com a finalidade de estreitar os laços que vão unir essas criaturas, pois neste ambiente de convivência contínua, de interdependência, na condição de pais, filhos e irmãos, aprendemos a nos entrelaçar através da convivência, aprendendo a nos amar.
Todas as ações, todos os exemplos nobres, os bons momentos vividos, as lições que transmitimos estão semeadas, e um dia germinará e despertará o sentimento desse coração, que no momento não se encontra com a terra adubada para a devida germinação.
Que possamos prosseguir a nossa jornada de aprendizado, tendo bom ânimo e perseverança.
Façamos o melhor de nós e deixemos que Deus faça o que ainda não estiver ao nosso alcance.
E vamos concluir com Emmanuel, do livro “Família” – trecho da mensagem “Cá e Lá”:
“Recebamos na criança de hoje, em pleno mundo físico, o companheiro do pretérito que nos bate à porta do coração, suplicando reajuste e socorro. (…) Estendamos a luz da educação e do amor, diminuindo as sombras da penúria e da ignorância”.